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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Forças Armadas, Olimpíada e Futuro


“A disciplina é a alma de um exército; torna grandes os pequenos contingentes, proporciona êxito aos fracos, e estima todos”.George Washington
“Coragem... pequeno soldado do imenso exército. Os teus livros são as tuas armas, a tua classe é a tua esquadra, o campo de batalha é a terra inteira, e a vitória é a civilização humana”.Edmondo Amicis
 “O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado” Rui Barbosa
 Com o fim da Olimpíada no Brasil, chegamos a uma de nossas melhores campanhas 13 º Posição com 19 medalhas 07 de Ouro, 06 de Prata e 06 de Bronze dos medalhistas 14 ganhas por atletas militares, dos 465 atletas que participaram 145 eram militares, havia uma meta de atingir 10 medalhas, pois bem o resultado foi maior que o esperado. Sem a presença militar seríamos um fiasco, mas o que me chamou a atenção que estes atletas soldados, conseguiram suas marcas graças a disciplina e apoio permanente para treino e um soldo. Estamos diante de uma janela de oportunidade, incentivar o atletismo militar e apoiar os atletas de jogos coletivos via patrocínio de grandes empresas. Podemos incrementar esta experiência para a próxima olimpíada no Japão em 2020 e estipular uma meta dobrar o número de medalhas o que nos daria algo próximo a sair da 13º potência olímpica para a 7º potência lugar ocupado hoje pela a França.
 Nossas Forças Armadas, precisam entrar em cena, para ajudar em outras áreas, como Infraestrutura, Saúde e Educação, apoiar as nossas forças militares para a ampliação e construção de nossas ferrovias, rodovias, portos e aeroportos. Com geração de trabalho para nossos jovens, onde o desemprego beira 24%, livrando-nos destas empreiteiras caras e de competência e custos duvidosos. Mas a maior vitória seria ver nossos soldados na frente de batalha contra o analfabetismo, creio que poderíamos utilizar nossos batalhões para enfrentar este mal maior que assola nosso país. Por último a saúde, aumentar a presença militar na saúde, com apoio logístico e combate a endemias e epidemias. Quanto a força nacional de segurança, precisaria de uma função de combate a violência urbana nas capitais brasileiras.
 Existem desafios em todas as fronteiras do Brasil, mas nunca precisamos tanto de todas as forças possíveis militares ou civis, executivo, legislativo ou judiciário a república precisa, urgentemente de uma grande revisão de preceitos e conceitos, unindo todas as forças para a construção de um país melhor para os nossos filhos e netos. Estamos diante de um momento histórico e ao se aproximar as eleições para as câmaras municipais e prefeituras é hora de pensarmos na renovação, varrer da política estes viciados no poder que prometem um futuro melhor e que o único futuro que pensam é o deles. Escolha com critério seu candidato, se tem uma proposta para sua cidade seja candidato. Que consigamos vencer a nossa olimpíada interna atrás de um país mais justo e consciente do seu potencial perante o pavilhão das nações. “Não pergunte o que o país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo país”. John F. Kennedy
Adeildo Caboclo é professor, palestrante, consultor de empresas e escritor.                      
E-mail: diretoria@flapbusiness.com.br -  Visite: www.adeildocaboclo.com.br

Olimpíada, Condomínio e Nossos Desafios


Uma Vida bem vivida: é a maior de todas as Olimpíadas. Você é o atleta.” Vitorio Furusho

“Não é a força, mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade. ”Friedrich Nietzsche
“Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão”. Jean-Paul Sartre
 As vésperas do maior evento olímpico do mundo, nos deparamos com 11,5 milhões de desempregados e o preço do feijão nas alturas, mas teremos que assistir e prestigiar o evento, afinal foi feito um investimento de U$11,7 bilhões de dólares, 1/5, frente o rombo no orçamento de R$ 170 Bilhões de reais algo como U$ 53,3 Bilhões de Dólares. Mas as olimpíadas podem ser um grande recomeço para o Rio de Janeiro, com a revitalização da capital. A situação do Estado com o orçamento em frangalhos que recorre ao governo federal para parcelar suas dívidas, que ao perder receitas com sua maior empresa, a Petrobrás dona de uma dívida de R$ 450,00 Bilhões algo como U$ 150 Bilhões de dólares, vendendo ativos na tentativa de renegociar suas contas e cobrando a diferença na bomba de combustível.
A coisa boa de tudo, isto é, estamos chegando nos números reais e começamos a entender as contas deste grande condomínio Brasil, gerido por personagens que amam os holofotes políticos e desprezam as necessidades da população. Mas o que eles não esperavam é que a população começasse a entender a caixa preta das contas condominiais. O sistema político encontra-se ameaçado e procura uma saída para construir um discurso de sobrevivência do “establishment”. Mesmo que grande parte da população brasileira não compreenda e não participe das reuniões condominiais, já conseguem entender que existe algo de errado no reino da desigualdade brasileira.
O fim do poço nunca chega, as olimpíadas passarão, nossas carreiras terão que sobreviver a esta tempestade perfeita. O legado de tudo isto será um país em plena efervescência jurídica e policialesca, com uma classe política com forte metástase e com empresários em profunda anemia. A quem vamos culpar, forças ocultas, o último partido no comando, a classe empresarial ou algum inimigo externo, pois bem meus caros, a responsabilidade é toda nossa. Mas fica aqui o meu desejo de uma boa olimpíada, para os profissionais que todos os dias saltam seus obstáculos, na busca de manterem-se nos seus negócios ou empregos. Que sejamos valentes e corajosos para um Brasil melhor para nossos filhos e netos, esta é a verdadeira tocha olímpica a ser sustentada.
Adeildo Caboclo é professor, palestrante, consultor de empresas e escritor.                             E-mail: diretoria@flapbusiness.com.br -  Visite: www.adeildocaboclo.com.br

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Trabalho, Carreira e Aposentadoria


Os velhos acreditam em tudo, as pessoas de meia idade suspeitam de tudo, os jovens sabem tudo.Oscar Wide 
A idade não nos protege contra o amor. Mas o amor, até certo ponto, protege-nos contra a idade. Jeanne Moreau
O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade. Voltaire
Como a bola da vez é a reforma da previdência, não poderia deixar dar algumas contribuições, sempre que vejo a palavra reforma, me lembro de projetos imperfeitos, inacabados ou simplesmente uma desculpa para justificar gastos ou acomodação de novos interesses políticos econômicos. Tenho acompanhado nas mídias vastos comentários sobre os déficits da previdência, idade mínima de aposentadoria, regras de transição, fator previdenciário e por última unificação dos sistemas previdenciários, CLT, Servidores Federais e Militares.
Creio que esta discussão deveria ser precedida da questão da qualidade do trabalho, no caso que conheço muito bem os funcionários regidos pela CLT posso afirmar que os custos de manutenção e contratação são considerados altos, porém as condições de trabalho nunca são levadas em conta. O Brasil, tem condições de trabalho que vão desde o padrão Europeu até os padrões Indianos, que pese a minha falta de pesquisa específica mas acredito que 80% dos trabalhadores vivem no padrão Indiano-Brasileiro.
O padrão Indiano-Brasileiro, trata-se de uma legislação trabalhista gigante onde se presa apenas as condições contratuais as condições de manutenção da qualidade de trabalho ficam dependentes das questões de lucratividade e filosofia dos proprietários a mercê da fiscalização do Ministério do Trabalho, que regido por um conjunto de 36 Normas Regulamentadoras, bem escritas porém mal lidas e incompreendidas, impostas ao setor produtivo, que reluta em manter as condições de trabalho as mínimas possíveis, considerando que investir em prevenção, não é um bom negócio, pois caso haja acidentes e doenças a previdência social recebe todo o ônus. No nosso modelo o que vale é lucro e a produtividade máxima pelas condições de segurança mínimas.
Como estão propondo várias saídas para o gasto com a previdência, proponho reduzirmos os acidentes no trabalho, no trânsito, no Lar e proponho que o país consiga ter empresas sustentáveis, pois mais anos trabalhando requerem empresas que durem mais do que nossas empresas de hoje. Ninguém quer discutir a qualidade dos empreendimentos e empreendedores, querem apenas passar a conta para a sociedade pagar, com empregos de baixa qualidade e não respeitando as condições de trabalho, querem impor o padrão de idade mínima europeu para um povo que trabalha em condições equivalentes a Inglaterra do início do século passado.
Temos que redesenhar todo o nosso processo produtivo, a forma como conseguimos os resultados econômicos. Como não é possível pensar em reformar o modelo produtivos sem repensar a educação, ciência a tecnologia, a estrutura logística e a visão de futuro para o Brasil. Os defensores da reforma pela reforma apenas pensam em salvar as contas do país. Mas fica esta reflexão: “Precisamos pensar além reforma, precisamos repensar e acertar a agenda do país como um todo e suas relações com a idade, a distribuição de renda e a aposentadoria.”
Adeildo Caboclo é professor, palestrante, consultor de empresas e escritor.                      E-mail: diretoria@flapbusiness.com.br -  Visite: www.adeildocaboclo.com.br

domingo, 5 de junho de 2016

Biodiversidade Brasileira




O Brasil é um país de proporções continentais: seus 8,5 milhões km² ocupam quase a metade da América do Sul e abarcam várias zonas climáticas – como o trópico úmido no Norte, o semi-árido no Nordeste e áreas temperadas no Sul. Evidentemente, estas diferenças climáticas levam a grandes variações ecológicas, formando zonas biogeográficas distintas ou biomas: a Floresta Amazônica, maior floresta tropical úmida do mundo; o Pantanal, maior planície inundável; o Cerrado de savanas e bosques; a Caatinga de florestas semi-áridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical pluvial da Mata Atlântica. Além disso, o Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões km², que inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.

A variedade de biomas reflete a enorme riqueza da flora e da fauna brasileiras: o Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Esta abundante variedade de vida – que se traduz em mais de 20% do número total de espécies da Terra – eleva o Brasil ao posto de principal nação entre os 17 países megadiversos (ou de maior biodiversidade).

Além disso, muitas das espécies brasileiras são endêmicas, e diversas espécies de plantas de importância econômica mundial – como o abacaxi, o amendoim, a castanha do Brasil (ou do Pará), a mandioca, o caju e a carnaúba – são originárias do Brasil.
Mas não é só: o país abriga também uma rica sociobiodiversidade, representada por mais de 200 povos indígenas e por diversas comunidades – como quilombolas, caiçaras e seringueiros, para citar alguns – que reúnem um inestimável acervo de conhecimentos tradicionais sobre a conservação da biodiversidade. Porém, apesar de toda esta riqueza em forma de conhecimentos e de espécies nativas, a maior parte das atividades econômicas nacionais se baseia em espécies exóticas: na agricultura, com cana-de-açúcar da Nova Guiné, café da Etiópia, arroz das Filipinas, soja e laranja da China, cacau do México e trigo asiático; na silvicultura, com eucaliptos da Austrália e pinheiros da América Central; na pecuária, com bovinos da Índia, equinos da Ásia e capins africanos; na piscicultura, com carpas da China e tilápias da África Oriental; e na apicultura, com variedades de abelha provenientes da Europa e da África.

Este paradoxo traz à tona uma ideia premente: é fundamental que o Brasil intensifique as pesquisas em busca de um melhor aproveitamento da biodiversidade brasileira – ao mesmo tempo mantendo garantido o acesso aos recursos genéticos exóticos, também essenciais ao melhoramento da agricultura, da pecuária, da silvicultura e da piscicultura nacionais.Como se sabe, a biodiversidade ocupa lugar importantíssimo na economia nacional: o setor de agroindústria, sozinho, responde por cerca de 40% do PIB brasileiro (calculado em US$ 866 bilhões em 1997); o setor florestal, por sua vez, responde por 4%; e o setor pesqueiro, por 1%. Na agricultura, o Brasil possui exemplos de repercussão internacional sobre o desenvolvimento de biotecnologias que geram riquezas por meio do adequado emprego de componentes da biodiversidade.Produtos da biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras, com destaque para o café, a soja e a laranja. As atividades de extrativismo florestal e pesqueiro empregam mais de três milhões de pessoas. A biomassa vegetal, incluindo o etanol da cana-de-açúcar, e a lenha e o carvão derivados de florestas nativas e plantadas respondem por 30% da matriz energética nacional – e em determinadas regiões, como o Nordeste, atendem a mais da metade da demanda energética industrial e residencial. Além disso, grande parte da população brasileira faz uso de plantas medicinais para tratar seus problemas de saúde.

Por tudo isso, o valor da biodiversidade é incalculável.

Sua redução compromete a sustentabilidade do meio ambiente, a disponibilidade de recursos naturais e, assim, a própria vida na Terra. Sua conservação e uso sustentável, ao contrário, resultam em incalculáveis benefícios à Humanidade.
Neste contexto, como abrigo da mais exuberante biodiversidade do planeta, o Brasil reúne privilégios e enorme responsabilidade.

Mas o que é a Biodiversidade?
A biodiversidade é você; a biodiversidade é o mundo; você é o mundo. Seu corpo contém mais de 100 trilhões de células e está conectado ao planeta por um sistema complexo, infinito e quase insondável: você compartilha átomos com tudo o que existe no mundo ao seu redor.
Estima-se que até 100 milhões de diferentes espécies vivas dividam este mundo com você (ainda que menos de 2 milhões sejam conhecidas): a biodiversidade abrange toda a variedade de espécies de flora, fauna e micro-organismos; as funções ecológicas desempenhadas por estes organismos nos ecossistemas; e as comunidades, habitats e ecossistemas formados por eles. É responsável pela estabilidade dos ecossistemas, pelos processos naturais e produtos fornecidos por eles e pelas espécies que modificam a biosfera. Assim, espécies, processos, sistemas e ecossistemas criam coletivamente as bases da vida na Terra: alimentos, água e oxigênio, além de medicamentos, combustíveis e um clima estável, entre tantos outros benefícios.

O termo biodiversidade diz respeito também ao número de diferentes categorias biológicas (riqueza) da Terra e à abundância relativa destas categorias (equitabilidade), incluindo variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre habitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). Por tudo isso, o valor da biodiversidade é incalculável. Apenas quanto ao seu valor econômico, por exemplo, os serviços ambientais que ela proporciona – enquanto base da indústria de biotecnologia e de atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais – são estimados em 33 trilhões de dólares anuais, representando quase o dobro do PIB mundial.
Mas esta exuberante diversidade biológica global vem sendo dramaticamente afetada pelas atividades humanas ao longo do tempo – e hoje a perda de biodiversidade é um dos problemas mais contundentes a acometerem a Terra. A crescente taxa de extinção de espécies – que estima-se estar entre mil e 10 mil vezes maior que a natural – demonstra que o mundo natural não pode mais suportar tamanha pressão.

Diante deste quadro, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que 2010 foi o Ano Internacional da Biodiversidade – convidando o mundo a celebrar a vida na Terra, a refletir sobre o valor da biodiversidade e a agir para protegê-la. E a hora de agir é agora.

A biodiversidade é a exuberância da vida na Terra – num ciclo aparentemente interminável de vida, morte e transformação.


Disponível em: http://www.mma.gov.br/biodiversidade/biodiversidade-brasileira acesso em: 05.jun.2016

Conheça a Coalizão Brasil Clima: http://coalizaobr.com.br/

terça-feira, 26 de abril de 2016

Abril Verde, Acidentes do Trabalho e o Desgoverno.


“Os acidentes são acidentes apenas para os ingênuos. ” George Satayana

“É melhor prevenir do que remediar. ” Anônimo

”Não existe melhor cura que a prevenção” Sandro Kretus


O dia 28 de abril foi instituído, em 2003, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória 

às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

Cerca de 2,34 milhões de pessoas morrem todos os anos no mundo vítimas de acidentes de trabalho e doenças relacionados ao ofício, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). No Brasil foram registrados 717.911 acidentes, 2.814 óbitos e 16.121 incapacidades permanentes, de acordo com os índices mais recentes, de 2013, do Anuário Estatístico da Previdência Social, que inclui apenas trabalhadores com registro em carteira.

Além de sobrecarregar o sistema público de saúde, os acidentes de trabalho também impactam as despesas previdenciárias com o aumento nos pedidos de benefícios como auxílio-doença, pensão por morte, aposentadoria por invalidez e auxílio-acidente. Somente em 2014 foram mais de R$ 10 bilhões gastos com vítimas de acidentes de trabalho. Já entre 2008 e 2013, essas despesas somaram mais de R$ 50 bilhões. (*)

Nos últimos 10 anos os acidentes do trabalho dobraram, o país que teve uma fase de crescimento não fez nenhuma melhoria no sistema de fiscalização que já era precário, o ministério do trabalho fez o que pode com seus quadros mal dimensionados. Os sindicatos por sua vez tiveram um papel bastante tímido na qualidade de vida do trabalhador. E as empresas, sim as empresas foram obrigadas a gerar documentos infindáveis para se protegerem das ações trabalhistas crescentes.

Ao findar destes quase 14 anos de governo, muito pouco foi feito pela prevenção de acidentes, as causas reconheço são complexas, mas a inoperância governamental, somada a uma formação técnica e gerencial limitada nos trouxeram-nos a uma situação de incapacidade de avanços na área de prevenção. Mas em todas as questões que as responsabilidades são compartilhadas, vira um grande jogo de empurra-empurra. Perdemos uma bela oportunidade de fazermos o enfrentamento desta questão social tão importante. Mas em vez de trabalhar na causa, vejo vários economistas dizendo que a reforma da previdência é importante por causa do déficit. Ora, mas este déficit é causado pelo baixo investimento feito em segurança do trabalho, poderíamos salvar algo como 10 bilhões apenas em 2014.

Nossa indústria está ficando obsoleta, nossos operários vão ficando cada vez mais expostos aos riscos. Como sermos competitivos no mercado global, com uma mão de obra não preparada para as questões de prevenção, a produção se impõe sobre a segurança e a falta de capacidade gerencial, acabam se somando neste contexto, que gera mortes e incapacidades temporárias e permanentes.

O sonho prevencionista de ter um Brasil mais seguro, vai ficando para trás, falta-nos políticas públicas e coragem governamental, é preciso antes de mais nada sermos ousados e inovadores no processo de criarmos uma nova realidade nos ambientes de trabalho. Muito se fala sobre o tempo de contribuição, mas o problema não está aí, sem as condições ideais de segurança o trabalhador se adoece, se acidenta e quando chega a completar o tempo de contribuição, está muitas vezes com os dias contados devido a exposições elevadas aos agentes de risco presente nos ambientes de trabalho.

Mas vamos saudar a memória das vítimas e saber que o Brasil e um dos grandes contribuintes para os números globais. Será preciso repensar o que está sendo feito hoje no Brasil em relação aos acidentes do trabalho. No meio da discussão política e econômica, temos razões de sobra para afirmar que as causas não estão sendo tratadas apenas seus efeitos. Precisaremos do compromisso do empresariado, dos governos, trabalhadores, escolas e universidades para reverter este quadro sombrio, que mata e mutila a nossa força de trabalho, fazendo que sejamos um país com produtividade baixa e por sua vez não compete em condições de igualdade com as nações mais desenvolvidas. Fica aqui o meu desejo que a segurança, entre na pauta de um novo país. Que Deus nos proteja.

Adeildo Caboclo é professor, palestrante, consultor de empresas e escritor. E-mail: diretoria@flapbusiness.com.br - Visite: www.adeildocaboclo.com.br



quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Ciclovia, a Petrobrás e o Mar




"Se já construístes castelos de areia no ar, não te envergonhes deles, constrói agora os alicerces"
Antoine de Saint-Exupéry

"Uma mentira pode construir um castelo na areia, mas a onda da verdade o derrubará." Luiza Gosuen

“Construir castelos na areia é fácil o difícil é prever as ondas.” Sandro Kretus


Vivemos um momento realmente atípico no país, prestes a sediar uma olímpiada, presenciamos o seu legado cair antes do evento, infelizmente levando vidas inocentes. Durante anos passei investigando acidentes e propondo medidas para eliminar sua recorrência. Mas em todos havia uma coisa em comum a prevalência da produção sobre o planejamento e as boas práticas. Havia sempre alguém querendo entregar mais do que o planejado, antes do tempo e não se importando como e nem a que preço.

Os eventos internacionais que o país sem condições se propôs a fazer está irradiando para o mundo as limitações sociais e econômicas brasileiras, como se fossemos dar uma festa para o mundo e no dia seguinte nossos filhos não teriam se quer o que comer. Fomos levados ao ufanismo de uma ideia que o pré-sal nos levaria a um padrão infinito de desenvolvimento e que seríamos a última potência a utilizar o combustível fóssil para melhorar a educação brasileira e a qualidade de vida de nossos cidadãos.

Mas como bom investigador algo estava incoerente nesta fala, tudo não passava de uma grande falácia para esconder os desvios que ocorriam na maior estatal brasileira. Pobres daqueles que colocaram suas reservas e FGTS em ações de uma empresa que servia de base para alimentar partidos, deputados e empreiteiras. Enquanto o discurso que a empresa seria a salvadora da economia dos estados que eram agraciados com os “royalties” e que traria grande desenvolvimento tecnológico em águas profundas e até ganhávamos prêmios internacionais na área do petróleo. Mas na verdade estávamos vendo um castelo de areia sendo construído e vendido como a grande solução nacional.

Hoje vimos que estamos em grande risco, nem a grande estatal ficou ilesa e nem a ciclovia resistiu ao mar e a corrupção, infelizmente levando inocentes, pessoas que como os investidores da Petrobrás não mereciam tamanho ultraje com requintes de corrupção nunca visto antes neste país. Mas como todos acidentes existe sempre uma desculpa, vamos culpar o mar, que há anos está ali e agindo de forma prevista, ele não tem como se defender e nem precisa, mas fica um registro de vergonha aqueles que receberam 45 milhões de reais para construir esta obra, que provavelmente deve estar condenada pelo mar e pela corrupção que anda sempre em volta de nossos empreendimentos públicos.

Sinto pelas famílias e pelos inocentes, que confiando colocaram suas finanças e suas vidas em risco, a falta de prevenção é generalizada no país do futebol, a prevalência é a corrupção e a produção de castelos de areia, literalmente para inglês ver. E com certeza a homenagem dada a Tim Maia que leva o nome da ciclovia é mais castelo de areia, que com certeza não o deixaria feliz. 

Mas o mar não perdoa, assim como a verdade uma hora ela surge e se impõe a realidade, precisamos de inconfidentes capazes de lutar contra este Estado de coisas. 

Adeildo Caboclo é professor, palestrante, consultor de empresas e escritor. E-mail: diretoria@flapbusiness.com.br 

Conheça nosso site: www.adeildocaboclo.com.br









terça-feira, 19 de abril de 2016

Gestão em Crise



“Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade. ” John Kennedy

“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise. ” Dante Alighieri

“Os momentos de crise suscitam um redobrar de vida nos homens. ” François Chateaubriand

É sabido que as crises são cíclicas e o controle sobre as mesmas requerem alto grau de planejamento, ao longo do processo desenvolvimentista brasileiro, temos tido sérios problemas com a questão da competitividade, sabemos que a busca da alta qualidade é um desejo humano, mas enfrentar as variáveis requer estratégias sujeitas a mudanças para atingimento de objetivos factíveis. Existe na economia global um forte processo de turbulências, exigindo das lideranças uma sofisticação gerencial sem precedentes na escolha das estratégias.

Em um olhar mais atento, vemos as pequenas e médias empresas brasileiras, sendo afetadas diretamente pela crise de gestão, empresas normalmente guiadas por gestores tradicionais, que aproveitaram uma oportunidade e navegaram na mesma, por anos ou por meses. Quando estes atendem empresas multinacionais inevitavelmente, são acometidos por processos de auditoria e acompanhamento como fornecedores, o que de uma certa forma contribui para uma melhoria forçada pelo cliente. Não obstante as empresas com longevidade acima de 20 anos tiveram uma intervenção na criação de processos ou adesão a sistemas certificáveis em função da necessidade de continuar a fornecer para as empresas multinacionais de classe mundial.

Estes processos foram impostos aos empresários e para não pagar o custo de deixar de fornecer, literalmente engoliram com ou sem ressalvas. O resultado disto que as essências dos modelos de gestão não foram atingidas, pois quando os gestores não participam da criação e formulação das estratégias, fazem os processos literalmente na marra. Sem se apropriar do que está sendo feito, sem engajamento gerencial e muitas das vezes delegando para consultorias e assessorias aquilo que deveria ser o coração da organização.

Os processos de especificação devem ser longos e protocolares, a utilização de métodos de pesquisa deve ser vasta e a crise nos coloca diante da necessidade de monitorar desempenho de forma cuidadosa e zelosa. Gestores experientes sabem que o sucesso organizacional se consolida com a inteligência dos processos internos e externos a organização e por indicadores que devem funcionar como painéis de bordo para a organização. Até aqui nada de novo, mas o que vemos nas empresas médias e pequenas é uma falta permanente de uma visão macro alinhada com um conjunto de indicadores, que nos dê a mais precisa realidade possível, lembrando que quanto maior a turbulência mais requer a experiência do piloto e de sua tripulação para levar a aeronave a bom termo.

O problema que no mercado existe teorias de sobra e boa tripulação em falta, com todo o esforço que é realizado na educação empresarial brasileira, sofremos da falta de entendimento dos processos de gestão e quase sempre levados ao modismo ora japonês, ora americano, ora europeu. Nossos autores são reflexos destas culturas e mesmos os mais experientes acabam não desenvolvendo uma reflexão própria a partir de sua experiência profissional, nossos docentes sofrem muitas das vezes da falta de exposição ao mercado, o que acaba na repetição de fórmulas prontas e decoradas e nenhuma reflexão organizacional, temos exceções mas funcionam muitas vezes como ponte de alguma universidade internacional ou são pequenas ilhas no mundo acadêmico estatal brasileiro.

Em minhas aulas procuro levar as jovens mentes a necessidade da busca do pensamento sistêmico, da estratégia e do planejamento para a qualidade, mas a turbulência é gigante, quando olhamos a nação fica exposta esta constatação a crise econômica e social é fruto da “gestão em crise”, da falta de estratégia e de direcionadores que nos levem ao futuro de forma consistente e principalmente na construção coletiva de um modelo social e empresarial auto suficiente e robusto que responda as insurgências políticas, sociais e econômicas específicas. Todas as nações e empresas que resistem na economia global tem uma coisa em comum, o desejo infinito de vencer, apoiado pelo planejamento robusto de longo prazo que são os fatores mínimos para sobrevivência e sustentabilidade futura.

Adeildo Caboclo é professor, palestrante, consultor de empresas e escritor. E-mail: diretoria@flapbusiness.com.br - Visite: www.adeildocaboclo.com.br